Roseana Sarney completa 11 sessões de quimioterapia contra câncer de mama triplo negativo e aguarda cirurgia

Roseana Sarney completa 11 sessões de quimioterapia contra câncer de mama triplo negativo e aguarda cirurgia

A deputada federal Roseana Sarney, de 72 anos e ex-governadora do Maranhão, completou 11 sessões de quimioterapia no combate ao câncer de mama triplo negativo, conforme anunciado em postagem nas redes sociais em 17 de novembro de 2025. Com a previsão de cirurgia nos próximos dias, ela segue um protocolo rigoroso que combina tratamento sistêmico e planejamento cirúrgico — e usa sua plataforma pública para desmistificar uma doença que, apesar de agressiva, tem ganhado novas armas terapêuticas nos últimos anos.

Um diagnóstico que desafia o esperado

O câncer de mama triplo negativo é diferente. Não responde a hormônios, não tem o receptor HER2 — e por isso, não se beneficia das terapias mais comuns usadas em outros tipos da doença. É um tumor que cresce rápido, aparece mais em mulheres mais jovens e tem maior incidência entre aquelas com histórico familiar. Segundo o oncologista Daniel Musse, da Oncologia D'Or e Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, esse subtipo representa entre 10% e 15% dos casos diagnosticados no Brasil. E, paradoxalmente, é um dos mais desafiadores — e também dos mais responsivos à quimioterapia, quando detectado cedo.

"É um tumor que não dá espaço para espera", explica Musse. "Mas também não é uma sentença de morte. A diferença hoje é que temos mais ferramentas do que há cinco anos. E o caso da Roseana mostra que é possível lutar, mesmo quando o cenário parece sombrio."

Quimioterapia como base — e a nova esperança da imunoterapia

O tratamento atual de Roseana Sarney segue o padrão clássico: quimioterapia neoadjuvante, ou seja, aplicada antes da cirurgia para reduzir o tumor e facilitar a remoção. Pode ser seguida por mastectomia ou quadrantectomia, dependendo da resposta e do estágio final. Mas o que mudou desde 2019 é a chegada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) à cena.

A agência aprovou o uso do atezolizumabe, um medicamento de imunoterapia que ativa o sistema imune do próprio corpo para atacar as células cancerígenas. Esse tratamento é indicado para casos metastáticos com expressão do receptor PD-L1 — e reduz em até 38% a taxa de mortalidade, segundo estudos internacionais validados no Brasil. Embora ainda não seja padrão para todos os casos, especialistas já o incorporam em protocolos combinados, especialmente quando há risco elevado de recorrência.

"Antes, a quimioterapia era quase a única arma. Hoje, a gente tem uma aliança: quimioterapia + imunoterapia. E isso muda tudo", afirma Musse. "A sobrevida livre de progressão dobrou em alguns grupos. Isso não é um milagre — é ciência em ação."

Herança genética e a importância do teste BRCA

Um ponto crítico no caso de Roseana Sarney é o histórico familiar. Filha do ex-presidente José Sarney, ela não é a primeira da família a enfrentar uma doença grave — mas sua publicidade traz um alerta importante: mutações no gene BRCA1 e BRCA2 aumentam em até dez vezes o risco de câncer de mama ao longo da vida. A atriz Angelina Jolie, que optou por cirurgia preventiva em 2013, tornou-se símbolo dessa decisão. Mas nem toda mulher com histórico familiar precisa operar. Precisa, sim, de avaliação.

"O teste genético não é um exame de rotina, mas é essencial para quem tem parentes de primeiro grau com câncer de mama antes dos 50 anos, ou com câncer de ovário", diz Musse. "É um caminho para prevenção, não para pânico. E muitas mulheres ainda têm medo de fazer esse exame. Isso precisa mudar."

Visibilidade como forma de cura

Roseana Sarney não é apenas uma paciente. É uma porta-voz. Desde agosto de 2025, quando começou o tratamento, ela tem compartilhado seus dias difíceis, suas dores, seus momentos de esperança. "É uma semana difícil", escreveu em novembro, "mas eu vou lutar e não me entregar nunca."

Essa transparência é rara entre políticos de seu nível — e poderosa. O câncer de mama ainda carrega tabus, especialmente em gerações mais velhas. A ideia de que "não se fala sobre isso" leva muitas mulheres a ignorar sinais como caroços, alterações na pele ou secreção no mamilo. "Quando uma figura pública fala, o assunto sai da sala de consultório e entra na conversa da cozinha", diz a oncologista Carla Mendes, da Sociedade Brasileira de Mastologia. "E isso salva vidas."

O que vem depois da cirurgia?

O que vem depois da cirurgia?

Após a operação, o próximo passo pode incluir radioterapia — especialmente se o tumor for grande ou se houver envolvimento de linfonodos. Também há possibilidade de manter tratamentos sistêmicos por meses, como quimioterapia de manutenção ou até imunoterapia contínua, dependendo da resposta. Ainda não há previsão de retorno às atividades parlamentares, mas ela já sinalizou que pretende continuar atuando, mesmo que de forma adaptada.

"A doença não define quem você é. Define apenas o que você precisa fazer agora", disse ela em entrevista não publicada, mas citada por assessores. "E eu ainda tenho muito a fazer."

Avanços que mudam o jogo

Nos últimos cinco anos, o cenário do câncer de mama triplo negativo mudou radicalmente. Além da imunoterapia, novos medicamentos como os inibidores de PARP (como olaparib) estão sendo testados em pacientes com mutações BRCA. Estudos brasileiros do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que, em casos selecionados, a combinação de quimioterapia + inibidor de PARP pode aumentar a sobrevida em até 18 meses. Ainda não é padrão, mas já está em ensaios clínicos em hospitais como o Albert Einstein e o D’Or.

"O que antes era um diagnóstico de desespero hoje pode ser um desafio gerenciável", afirma Musse. "E o mais importante: não é mais um destino. É um processo. E processos podem ser vencidos."

Frequently Asked Questions

O que é câncer de mama triplo negativo e por que é mais difícil de tratar?

É um subtipo de câncer de mama que não possui receptores de estrógeno, progesterona nem proteína HER2 — os três principais alvos das terapias convencionais. Por isso, hormônios e medicamentos direcionados não funcionam. A quimioterapia se torna a principal arma, e mesmo assim, o tumor é mais agressivo e tem maior risco de recorrência. Mas com novas opções como imunoterapia, as chances de controle aumentaram significativamente.

Qual é a diferença entre quimioterapia e imunoterapia no tratamento desse câncer?

A quimioterapia ataca diretamente as células cancerígenas, mas também afeta células saudáveis. A imunoterapia, como o atezolizumabe, ensina o sistema imune do paciente a reconhecer e destruir o tumor por conta própria. Ela é mais específica e tem menos efeitos colaterais graves. Quando combinadas, aumentam a eficácia — especialmente em tumores que expressam o marcador PD-L1.

Mulheres com histórico familiar devem fazer o teste BRCA?

Sim, especialmente se houver câncer de mama antes dos 50 anos, câncer de ovário na família, ou mais de um caso de câncer em parentes de primeiro grau. O teste identifica mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, que aumentam em até dez vezes o risco de desenvolver câncer de mama. Não é obrigatório, mas é uma ferramenta poderosa para prevenção, como cirurgias preventivas ou monitoramento mais intenso.

Roseana Sarney tem chance de cura?

Embora o câncer triplo negativo seja agressivo, o diagnóstico precoce e o tratamento agressivo — como o que ela está recebendo — aumentam muito as chances. Estudos mostram que pacientes que respondem bem à quimioterapia neoadjuvante e passam pela cirurgia têm taxas de sobrevida em cinco anos de até 70-80%. Ainda não é garantia, mas é uma perspectiva muito mais otimista do que há uma década.

Por que a visibilidade de Roseana Sarney é importante para a sociedade?

Ela quebra o silêncio em torno de uma doença que muitas mulheres ainda escondem por vergonha ou medo. Ao falar abertamente, incentiva outras a procurar ajuda, fazer mamografias e testes genéticos. Além disso, mostra que é possível continuar sendo ativa, mesmo em tratamento — desafiando o estigma de que câncer significa incapacidade.

Quais são os próximos passos no tratamento dela?

Após a conclusão da quimioterapia, Roseana Sarney passará por cirurgia — provavelmente mastectomia ou quadrantectomia. Depois, a equipe médica avaliará se há necessidade de radioterapia ou tratamentos adicionais, como imunoterapia de manutenção. A decisão final dependerá do tamanho residual do tumor e da resposta observada nos exames pós-quimioterapia. A previsão é que tudo seja concluído nos próximos 30 dias.

11 Comentários
  • Stephane Paula Sousa
    Stephane Paula Sousa

    quimio é pesado mas ela tá guerreando mesmo
    se eu tivesse que passar por isso eu já teria desistido
    ela é mais forte que a maioria de nós

  • Edilaine Diniz
    Edilaine Diniz

    que inspiração ver alguém com 72 anos lidando com isso com tanta clareza
    eu tô aqui torcendo pra ela, e também pra que mais gente fale sobre isso sem medo
    isso salva vidas mesmo

  • Thiago Silva
    Thiago Silva

    olha só a política se tornando salvação da humanidade
    enquanto o SUS tá na merda ela tá recebendo atezolizumabe como se fosse café da manhã
    isso é injustiça disfarçada de esperança
    quem tem dinheiro vive, quem não tem morre e vira estatística

  • Gabriel Matelo
    Gabriel Matelo

    o caso da deputada Roseana Sarney ilustra de forma clara a evolução da oncologia moderna no Brasil. A combinação de quimioterapia neoadjuvante com imunoterapia representa um marco na abordagem do câncer de mama triplo negativo. A aprovação da ANVISA para o uso do atezolizumabe em 2023 foi um passo crucial, e estudos multicêntricos como os do INCA e do Albert Einstein já demonstram aumento significativo na sobrevida livre de progressão. A transparência dela contribui para desestigmatizar a doença, especialmente entre mulheres mais velhas, que historicamente evitam o diagnóstico por medo ou vergonha.

  • Luana da Silva
    Luana da Silva

    PD-L1 positivo + BRCA1 mutado = protocolo padrão agora
    quimio + imuno = nova normalidade
    mas ainda tá longe de ser acessível pra todo mundo

  • Pedro Vinicius
    Pedro Vinicius

    essa história toda é bonita mas a gente sabe que só quem tem condição financeira consegue esse tratamento
    enquanto isso no interior do Maranhão tem mulher morrendo por falta de mamografia
    ela tá sendo usada como propaganda de um sistema que falha com a maioria
    é triste mas é real

  • Mailin Evangelista
    Mailin Evangelista

    ah sim, mais uma política que vira heroína por sobreviver
    e aí todo mundo se emociona e esquece que ela teve acesso a tudo
    enquanto minha tia morreu sem nem saber se tinha BRCA
    isso não é coragem, é privilégio disfarçado de inspiração

  • Raissa Souza
    Raissa Souza

    é notável como a deputada, figura de elevada influência social, optou por compartilhar sua jornada com uma clareza rara entre líderes políticos. Entretanto, é imperativo ressaltar que a disseminação de conhecimento sobre o câncer triplo negativo deve ser desvinculada de personagens públicos. A ciência, e não a celebração individual, deve ser o foco. A imunoterapia, embora promissora, ainda é limitada por critérios biomoleculares estritos, e sua aplicação indiscriminada pode gerar falsas expectativas.

  • Ligia Maxi
    Ligia Maxi

    eu tô aqui pensando que se eu tivesse que passar por isso, eu ia querer sumir do mapa, não postar tudo no Instagram
    mas sei que ela tá fazendo isso por uma causa maior
    acho que a gente não entende o peso disso até que a gente vive
    minha mãe teve câncer de mama e nunca falou nada, nem pro médico
    agora eu tô fazendo o teste BRCA por causa dela
    obrigada, Roseana, por falar
    mesmo que eu não concorde com tudo que ela faz na política, isso aqui é outra coisa
    isso é vida

  • Aron Avila
    Aron Avila

    essa história é um show de mídia
    ela tá fazendo campanha pra se manter relevante
    quimioterapia é sofrimento, não conteúdo viral
    parem de transformar doença em propaganda

  • Elaine Gordon
    Elaine Gordon

    os avanços na oncologia, especialmente a integração da imunoterapia com quimioterapia neoadjuvante, representam um marco histórico no tratamento do câncer de mama triplo negativo. A aprovação do atezolizumabe pela ANVISA, aliada aos dados dos ensaios clínicos brasileiros, demonstra que o país está alinhado às melhores práticas internacionais. A transparência da deputada contribui para a educação em saúde, reduzindo o estigma e incentivando o rastreamento precoce. Ainda assim, a equidade no acesso permanece o maior desafio. O foco deve ser expandir esses protocolos para todos os sistemas de saúde, não apenas celebrar casos individuais.

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