Benedita vence Quaquá na disputa por suplentes no PT do RJ
Quando Benedita da Silva, pré-candidata ao Senado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), chegou a Brasília na quarta-feira, 13 de maio de 2026, o clima dentro da sigla era de tensão palpável. A visita não foi apenas protocolar; ela marcou o ponto alto de uma batalha interna acirrada contra Washington Quaquá, vice-presidente nacional do partido. O resultado? Uma vitória política clara para Benedita na definição de quem comporá seu ticket de suplentes em Rio de Janeiro.
O embate, que fervia nos bastidores e explodiu publicamente em grupos de WhatsApp, girava em torno de uma questão aparentemente técnica, mas carregada de simbolismo: quem teria o direito de decidir sobre os nomes dos suplentes? Para Benedita, a resposta era simples — ela mesma. Para Quaquá, o poder deveria estar nas estruturas estaduais ou em outros aliados.
O confronto pela composição do ticket
A divergência começou quando Benedita anunciou sua preferência por Manoel Severino, ex-presidente da Casa da Moeda e antigo secretário de Fazenda do estado. A escolha fez sentido estratégico para a senadora: Severino traz experiência administrativa sólida e reconhecimento público. No entanto, Quaquá, que também é prefeito de Maricá, opôs-se veementemente à indicação.
O vice-presidente nacional defendeu dois nomes alternativos: Felipe Pires, vereador local, e Kleber Lucas, cantor gospel com forte apelo midiático. Segundo Quaquá, a recusa em aceitar Severino baseava-se em alegações de envolvimento em "escândalos" passados, embora detalhes específicos não tenham sido detalhadamente expostos publicamente. A narrativa dele sugería que Benedita buscava consolidar um grupo fechado, acusando-a de tentar criar uma "capitania hereditária" dentro do PT.
A virada em Brasília
O cenário mudou drasticamente após a reunião entre Benedita e Edinho Silva, presidente nacional do PT. Na terça-feira anterior, dia 12 de maio, o Diretório Nacional votou por 19 votos favoráveis e 3 abstenções para determinar que a escolha dos suplentes caberia ao grupo da candidata, e não à Executiva Estadual. Essa decisão institucional foi interpretada imediatamente como um respaldo direto à posição de Benedita.
"Foi uma vitória do mérito político sobre as manobras internas", comentou uma fonte próxima à senadora, sob condição de anonimato. A movimentação em Brasília sinalizou claramente onde estava o apoio da cúpula nacional, isolando Quaquá em sua resistência.
A ruptura e as acusações
Não satisfeito com o desfecho, Washington Quaquá tomou uma medida drástica: retirou oficialmente seu apoio à candidatura de Benedita ao Senado. Em mensagem enviada ao grupo interno do partido, ele escalou as críticas, afirmando que a postura de Benedita ameaçava a democracia interna do PT. "Não podemos permitir que decisões sejam tomadas por um pequeno núcleo sem consulta às bases", escreveu ele.
A tensão já havia começado a se manifestar antes disso. Em 21 de abril de 2026, feriado de Tiradentes, o diretório estadual aprovou resolução nomeando Felipe Pires e Kleber Lucas como suplentes. Mas essa decisão foi contestada por membros dissidentes, que questionaram a legitimidade do quórum presente na reunião. A oposição levou o caso ao nível nacional, pedindo intervenção — movimento que acabou se revertendo contra os defensores de Quaquá.
O impacto nas eleições
Essa disputa interna reflete mais do que uma briga por cargos; ela expõe fissuras profundas na estrutura do PT no Rio de Janeiro. De um lado, está a ala tradicionalista, ligada a Benedita, que vê na experiência técnica e na continuidade administrativa elementos essenciais para fortalecer a campanha. Do outro, há a facção liderada por Quaquá, que prioriza afinidades ideológicas e alianças locais, mesmo que isso signifique abrir mão de perfis mais consagrados.
Especialistas em política eleitoral alertam que conflitos internos podem enfraquecer a imagem da legenda perante os eleitores. "Votos são conquistados fora das paredes dos gabinetes. Quando o partido parece dividido, o eleitor tende a desconfiar", analisa Carlos Mello, cientista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O que vem por aí?
Com a aprovação do Diretório Nacional, Benedita pode agora avançar com seu plano original, incluindo Manoel Severino entre os suplentes. Isso fortalece sua posição tanto tecnicamente quanto simbolicamente, mostrando controle sobre sua própria estratégia. Já Quaquá, embora derrotado neste capítulo, mantém influência significativa em outras frentes do partido, especialmente na Baixada Fluminense e em cidades como Maricá.
As próximas semanas serão cruciais. Se Benedita conseguir manter a unidade mínima necessária para articular uma campanha coesa, poderá transformar essa vitória interna em vantagem eleitoral. Caso contrário, as rachaduras podem se alargar, beneficiando adversários de outras legendas.
Perguntas Frequentes
Quem venceu a disputa pelos suplentes no PT do Rio?
Benedita da Silva venceu a disputa. Após reunião com o presidente nacional Edinho Silva em 13 de maio de 2026, o Diretório Nacional do PT decidiu que a escolha dos suplentes seria feita pelo grupo da candidata, permitindo que ela incluísse Manoel Severino no ticket.
Por que Washington Quaquá se opôs à indicação de Manoel Severino?
Quaquá alegou que Severino teria envolvimento em escândalos passados e criticou o processo como autoritário, acusando Benedita de tentar formar uma "capitania hereditária" dentro do partido, concentrando poder em um círculo restrito.
O que aconteceu com o apoio de Quaquá à candidatura de Benedita?
Após ser derrotado na votação do Diretório Nacional, Quaquá retirou oficialmente seu apoio à candidatura de Benedita ao Senado, declarando isso em comunicado interno ao partido.
Como essa disputa afeta as chances eleitorais do PT no Rio?
Embora Benedita tenha vencido internamente, a divisão exposta pode enfraquecer a imagem da legenda junto aos eleitores. Especialistas alertam que conflitos públicos tendem a gerar desconfiança e reduzir a mobilização de base.
Quem são os suplentes escolhidos por Benedita?
Benedita optou por incluir Manoel Severino, ex-presidente da Casa da Moeda e antigo secretário de Fazenda do estado, como um dos suplentes. Os outros nomes ainda não foram confirmados publicamente.
Houve alguma irregularidade processual na decisão do PT?
A oposição liderada por Quaquá questionou a legitimidade do quórum usado na votação de 21 de abril, mas o Diretório Nacional validou o processo e reafirmou que a decisão final pertencia ao grupo da candidata.