Pesquisa Quaest: em SP, Lula perde para Tarcísio e empata com Bolsonaro em cenários de 2º turno

Em São Paulo, Tarcísio larga à frente; no país, Lula mantém a dianteira
São Paulo continua sendo pedra no sapato do PT. O recorte paulista da Pesquisa Quaest, divulgada na quinta-feira (21), indica que, num hipotético segundo turno em 2026, Lula perderia para o governador Tarcísio de Freitas por 52% a 35% entre eleitores do estado. Há ainda 2% de indecisos e 11% que declaram voto em branco, nulo ou abstinção. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O dado destoa do cenário nacional testado na mesma rodada: Lula lidera todas as simulações de primeiro turno, sempre entre 34% e 35% das intenções de voto. Contra Jair Bolsonaro, que segue inelegível até 2030 por decisão da Justiça Eleitoral, o presidente aparece com 34%, ante 28% do ex-chefe do Executivo. Quando o campo da direita troca de cabeça de chapa, o desempenho cai: Michelle Bolsonaro e Tarcísio registram 21% cada, Eduardo Bolsonaro tem 17% e Flávio Bolsonaro fica em 14%.
Nos cenários de segundo turno em nível nacional, Lula venceria todos os adversários testados, com uma exceção: Tarcísio de Freitas, com quem o presidente aparece em empate técnico. Isso ajuda a explicar o fôlego do governador no eleitorado paulista — uma base historicamente resistente ao PT e decisiva em qualquer corrida ao Planalto.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e feito pela Quaest entre 13 e 17 de agosto, com 1.644 entrevistas presenciais em São Paulo, margem de erro de dois pontos e 95% de confiança. O recorte estadual reforça uma realidade conhecida: em 2022, Lula perdeu para Bolsonaro em SP por 55% a 45% no segundo turno. Ou seja, o maior colégio eleitoral do país segue inclinado à direita, mesmo com o petista em vantagem no cenário nacional.
- SP, 2º turno hipotético 2026: Tarcísio 52% x Lula 35% (2% indecisos; 11% branco/nulo/abstenção).
- Brasil, 1º turno: Lula lidera com 34% a 35% em todos os cenários.
- Brasil, Lula x Bolsonaro: 34% x 28%.
- Outros nomes da direita no 1º turno: Michelle 21%, Tarcísio 21%, Eduardo 17%, Flávio 14%.
- Brasil, 2º turno: Lula vence todos, menos Tarcísio (empate técnico).

Por que o recorte paulista importa — e o que está em jogo
São Paulo concentra cerca de um quinto do eleitorado brasileiro. Quando um candidato abre larga vantagem por aqui, compensa desvantagens em outras regiões e altera o mapa da disputa. Tarcísio, que venceu o governo estadual em 2022 na esteira do bolsonarismo, manteve alta exposição, entregou obras e adotou agenda de segurança pública que dialoga com parte do centro urbano. Esse capital político aparece agora na pesquisa.
Lula, por outro lado, sustenta a liderança nacional por somar votos no Nordeste e entre segmentos de renda mais baixa, além de manter diálogo com o centro político. A diferença regional é um traço recorrente nas eleições brasileiras e pode se acentuar se a economia não acelerar de forma homogênea. Em São Paulo, o eleitor costuma valorizar emprego, renda e serviços públicos com ênfase em mobilidade e segurança — temas que Tarcísio martela no dia a dia do governo.
A presença de Bolsonaro nos cenários, mesmo inelegível até 2030, funciona como termômetro de fidelidade do seu eleitorado e como bússola para a direita na hora de definir cabeça de chapa. Os números mostram que, sem ele, as alternativas ainda têm teto mais baixo: Michelle e Tarcísio estacionam em 21% no primeiro turno nacional, enquanto Eduardo e Flávio perdem tração. Isso sugere que a transferência de capital político do ex-presidente está longe de ser automática.
Há também um ponto estratégico: Tarcísio precisa equilibrar a gestão no Palácio dos Bandeirantes com a ambição nacional. Quanto mais entregar obras e manter indicadores de segurança sob controle, maior a chance de transformar aprovação administrativa em voto. Porém, a vitrine estadual também cobra preço — crises policiais, conflitos com servidores e gargalos em serviços como transporte e saúde tendem a ganhar projeção nacional em ano eleitoral.
Para o PT, o desafio é recuperar terreno no Sudeste sem perder o que já consolidou no Nordeste. Isso passa por emprego e renda, mas também por custo de vida nas capitais, crédito barato, moradia e sinal claro de que o governo federal alcança a classe média urbana. Em 2022, o antipetismo pesou no cinturão metropolitano paulista; reduzir essa rejeição é condição para encurtar a diferença com qualquer nome do campo bolsonarista em SP.
Outro ingrediente é o tabuleiro partidário. Ciro Gomes, Ratinho Jr., Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem testados como possíveis presidenciáveis. Todos têm cacife regional, mas ainda precisam comprovar densidade nacional. Sem uma narrativa clara, tendem a virar coadjuvantes em um pleito polarizado. Por isso, alianças e palanques estaduais vão ter peso maior do que slogans — especialmente em estados-chave como São Paulo, Minas e Rio.
Vale a cautela ao ler pesquisas com recortes regionais. Elas capturam o humor do momento e ajudam a mostrar onde cada candidato precisa avançar, não um resultado fechado. A amostra paulista desta rodada da Quaest é robusta para o estado e tem margem de erro de dois pontos, mas preferências podem oscilar ao sabor de economia, segurança e agenda política. Na prática, o que o dado grita é simples: Lula segue competitivo no país, mas Tarcísio virou o adversário a ser vigiado, principalmente quando o jogo passa por São Paulo.